- Alterações previstas
O aumento provavelmente inevitável da temperatura no país, além de fazer as plantas e o solo perderem mais água por evapotranspiração, não deve ser compensado por um aumento correspondente de chuvas. É o que afirma Hilton Silveira Pinto, agrônomo do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Unicamp e co-autor do estudo. “Os dados sobre chuva que nós obtivemos com o modelo climático são irregulares, mas há 4.000 estações da ANA [Agência Nacional de Águas] espalhadas pelo Brasil, com mais de 25 anos de dados. E a conclusão é que não há variação no total de chuva. Por isso, o que deve haver é o aumento de eventos extremos”, diz o pesquisador. Trocando em miúdos: a água que cai do céu ao longo do ano como um todo não deve variar, mas é quase certo que haja mais tempestades furiosas, intercaladas por períodos cada vez mais longos de seca. “É uma tendência que a gente já está vendo nos últimos 50, 60 anos”, afirma o agrônomo. Isso significa tanto uma possibilidade maior de falta d’água nas fases mais críticas do crescimento das plantas quanto a intensificação da aridez em regiões que já são naturalmente ressequidas, como a caatinga do Nordeste e do norte de Minas. “No caso do oeste da Bahia, por exemplo, em que há grande produção de frutas com irrigação, a situação pode ficar crítica”, diz Silveira Pinto. - Adaptação e mitigação
E, se o problema vai ser água de menos, as medidas para diminuir a liberação de gás carbônico na atmosfera ou para se adaptar às temperaturas mais altas também podem ter um impacto positivo sobre os recursos hídricos, diz o pesquisador. Uma delas é o plantio direto, no qual a palhada da safra já colhida continua no solo durante a nova semeadura. “Com isso, você consegue uma economia de água de 10% e seqüestra [armazena] uns 500 kg de carbono por hectare ao ano”, afirma. Outra combinação interessante é juntar numa só mistura sistemas agroflorestais (eucalipto plantado, por exemplo), lavouras anuais e gado. O aproveitamento máximo do solo - de preferência em áreas que hoje são pastagem degradada -- também aumenta o seqüestro de carbono (via árvores), mantém o gado “sombreado” pela agrofloresta e pode até quadruplicar a produtividade da pecuária. Uma aposta da Embrapa para a sobrevivência às mudanças climáticas são os chamados “transgênicos de segunda geração”, projetados não para serem maiores, melhores e sobreviverem sem pesticidas, mas para suportarem temperaturas mais altas. O segredo está nos genes de plantas típicas dos climas mais quentes do país, como o umbu e a sirigüela. Assad acredita que esse tipo de alteração genética pode manter o café em Minas e o algodão no Nordeste. “A biodiversidade brasileira, que está sendo destruída, é a verdadeira salvação da lavoura”, diz ele. Para realizar tudo isso, o “gigante adormecido” conta com uma posição especial. “Temos domínio da agricultura tropical. Temos o conhecimento, temos o pessoal e, mais importante, temos área suficiente para colocar tudo isso em prática”, afirma Assad. “Mas precisamos de recursos. E precisamos começar já. Essas são estratégias que demoram anos para dar resultados. Já devíamos ter começado antes”, diz ele Silveira Pinto aposta que os agricultores brasileiros não vão ficar de braços cruzados diante das necessidades impostas pelas mudanças climáticas. “Para começar, todo o sistema de financiamento agrícola do Brasil já depende do zoneamento de risco climático. E em agricultura conta muito o que chamamos de exemplo do vizinho. Quem adotar essas mudanças vai ser copiado”, afirma.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Aquecimento global pode dar prejuízo de até R$ 14 bilhões à agricultura brasileira
domingo, 10 de agosto de 2008
Especial: Biocombustíveis x Alimentos
m todo caso, a pergunta é oportuna, visto que o aumento do preço de alimentos básicos (como o açúcar, o óleo de soja, verduras e laticínios) pode ser desastroso para a população pobre do planeta.
Para responder a pergunta, é preciso compreender a relação entre biocombustíveis e a formação de preços dos alimentos ao consumidor. Façamos um breve raciocínio lógico.
1. O que os biocombustíveis têm a ver com os alimentos que compramos?
Tudo. A matéria-prima do açúcar refinado, por exemplo, é a mesma cana-de-açúcar utilizada na produção do etanol. Enquanto no Brasil as culturas mais utilizadas para a produção de biocombustível são cana-de-açúçar, soja, palma (dendê) e mamona, nos EUA o alimento utilizado é o milho, com uma produtividade muito menor que as das matérias-primas brasileiras.
2. Aumento da demanda
Nós, consumidores, agora temos que dividir parte destes alimentos com um consumidor voraz: a indústria de biocombustíveis. A demanda por produtos que são usados tanto em biocombustíveis como em alimentos cresceu, e vai crescer cada vez mais. E, segundo a lei da oferta e procura (a mais inexorável das leis do capitalismo), os preços podem subir tanto para um mercado quanto para o outro. Se houver mais demanda de um lado, haverá um preço do outro.
3. Diminuição de outras culturas
Como produzir biocombustíveis virou febre no Brasil, os agricultores têm substituído suas culturas tradicionais (como mamão, laranja, cenoura, batata e outras), para plantar aquelas utilizadas na produção de etanol e biodiesel. Por enquanto, de uma maneira pequena em relação a área plantada. A oferta destes alimentos, portanto, tende a diminuir, enquanto a demanda continuará a mesma. O resultado é o aumento dos preços de alimentos ao consumidor.
4. Aumento indireto de preços
Parte da alimentação dos bovinos, suínos e aves é composta por insumos utilizados na produção de biocombustíveis. Ou seja, pode ficar mais caro alimentar estes animais. E este aumento de custo será repassado aos consumidores - carnes e laticínios podem ficar mais caros.
Ao longo de 2006, o preço internacional do milho (matéria-prima não só da tortilla, mas do etanol nos EUA) subiu 55%. A soja, cuja produção foi reduzida nos EUA para abrir espaço para o milho, teve alta de 13%, segundo o International Food Policy Research Institute (IFPRI).
Na economia brasileira, de 2006 a 2007, alguns alimentos apresentaram elevação dos preços acima do esperado, de acordo com estatísticas da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O açúcar refinado, por exemplo, ficou 15,74% mais caro no varejo no período. No período do Pró-álcool, a primeira tentativa de usar etanol nos veículos brasileiros ocorrida nos anos 80, houve muita especulação e os usineiros, às vezes, vendiam para os produtores do etanol e, às vezes, para os produtores de açúcar.
Os especialistas já não ignoram mais a existência de uma correlação entre preços de alimentos e aumento da demanda de biocombustíveis. A constatação veio por meio do informe Perspectivas Agrícolas 2007-2016, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), publicado em setembro de 2007.
De acordo com o relatório, a demanda por biocombustíveis em nível mundial vai duplicar em 10 anos. Do lado da oferta, estima-se que até 2016 a União Européia (UE) irá produzir 21 milhões de toneladas de biocombustíveis, ante aos atuais 10 milhões; os EUA irão dobrar sua produção e o Brasil, por sua vez, irá saltar de 21 para 44 bilhões de litros produzidos anualmente. A China, ainda segundo a OCDE, irá expandir sua produção de etanol em cerca de 3,8 bilhões de litros por ano.
Será mesmo que, como todo este movimento de mercado, os preços dos alimentos não serão afetados?
Mocinho ou vilão?
Parece até brincadeira. Os biocombustíveis, até então vistos como uma das alternativas mais viáveis para a substituição dos combustíveis fósseis, agora são bombardeados por críticas, vindas de todos os lados.
Veja abaixo os possíveis problemas gerados pelo crescimento desenfreado do consumo de biocombustíveis e algumas alternativas para isso.
Aumento do preço de alimentos (diretos e indiretos) - O aumento da demanda de plantas para a produção dos biocombustíveis pode elevar os preços (direta e indiretamente) de diversos produtos ao consumidor. As conseqüências, no médio e longo prazos, são nefastas para a população pobre do mundo. Do outro lado, há produtividade diferenciada para várias tipos de biocombustíveis. Alguns dos mais improdutivos são soja e milho, dos mais produtivos, cana-de-açúcar e mamona.
Exclusão social - O modelo de produção de biocombustíveis, baseado em grandes propriedades e na geração de sub-empregos, é considerado socialmente excludente. Do outro lado, se você levado a sério uma política de incentivo ao pequeno agricultor poderia resolver parte do problema.
Aumento do efeito estufa - Estudos científicos publicados em outubro de 2007 comprovaram que, se o processo produtivo for considerado na somatória de emissão de gases do efeito estufa, os biocombustíveis chegam a ser 70% mais nocivos do que combustíveis fósseis, mas isso porque ainda utilizam os combustíveis fósseis para o transporte da produção e, no caso americano, até para a produção de etanol. No Brasil, a produção é feito com o uso do próprio etanol.
Desmatamento de florestas - O aumento da área plantada de cana-de-açúcar poderá pressionar a atual área agropecuária brasileira no sentido da Amazônia e, conseqüentemente, ao desmatamento da floresta.
Um ano após o anúncio do aumento da demanda mundial de biocombustíveis, em 2006, estatísticas apontaram um crescimento no percentual de desmatamento da Amazônia, que há cinco anos seguia tendência de diminuição;
Insuficiência de recursos hidricos - Atualmente a quantidade de água utilizada em todo o mundo na produção de alimentos é da ordem de 7 mil metros cúbicos, de acordo com o Instituto Internacional da Água de Estocolmo (SIWI). A estimativa é que, até o ano 2050, este consumo praticamente dobre. Nas palavras de Jan Lundqvist, diretor do conselhor da SIWI, "as projeções indicam que a água necessária para produzir biocombustíveis crescerá na mesma proporção que a demanda de água por alimentos, o que representaria a necessidade de 20 a 30 milhões de quilômetros cúbicos em 2050. E isto não é possível".
Alternativas mais eficientes - Um estudo britânico publicado na revista Science demonstrou que as florestas podem absorver de duas a nove vezes mais carbono, em um período de 30 anos, do que as emissões evitadas pelo uso de biocombustíveis.
É importante salientar que parte dessas críticas são também um alerta para que parte do processo de produção do biocombustível, por exemplo, possa ser melhorado para evitar os desastres.
Algumas das possíveis melhoras são:
* A escolha de matérias-primas mais produtivas
* O uso de terras já desmatadas e não cultivadas para o plantio
* A diminuição do combustível fóssil no processo de produção e transporte
* A utilização de pequenos agricultores para a produção de matéria-prima
Fonte: HowStuffWorks
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Floresta amazônica ganha fundo com US$ 1 bilhão para combater destruição
O Fundo Amazônia ficará abrigado no BNDES e poderá receber contribuições nacionais e internacionais, exceto do poder público brasileiro – o que, em tese, garante maior agilidade e independência na tomada de decisões e na aplicação dos recursos. Esta destinação será aprovada por um Conselho Tripartite, envolvendo, de um lado, o governo federal e seus órgãos; de outro, os estados da Amazônia Legal; e uma terceira câmara formada pela sociedade civil, incluindo representantes de ONGs, povos indígenas, trabalhadores rurais, indústria e academia.
As decisões do Conselho serão tomadas por consenso e cada câmara terá direito a apenas um voto. Quinta-feira, em uma reunião no Palácio do Planalto, o governo decidiu que o fundo não será administrado pelo ministro Roberto Mangabeira Unger, responsável pelo Plano Amazônia Sustentável (PAS).
Em seu discurso, Lula afirmou que o Brasil é um país soberano e que não existe problema quanto ao controle da floresta.
"O Brasil vai assumir, sim, sua responsabilidade de cuidar da Amazônia e controlar as emissões provenientes do desmatamento. Sabemos e devemos cuidar da Amazônia. E cuidar da Amazônia é bom para a economia do País também", afirmou o presidente.
Lula também apoiou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, sobre a adoção de moratórias setoriais, como a da soja e a da madeira legal.
"É melhor ter um bom acordo com os setores do que não fazer nada", disse ele.
O Fundo Amazônia foi inspirado na proposta do Pacto pelo Desmatamento Zero, apresentado ao governo e ao Congresso pelo Greenpeace e outras oito ONGs, em outubro de 2007. A medida também é consistente com a proposta do Greenpeace de criação de um mecanismo financeiro que permita a arrecadação de recursos em grande escala para viabilizar a redução acelerada do desmatamento em escala global, apresentada em Bali, em dezembro de 2007.
"A criação do Fundo Amazônia é um passo importante para assegurar os recursos necessários para combater o desmatamento, valorizar a floresta e a defesa do patrimônio biológico da região", disse Marcelo Furtado, diretor-executivo do Greenpeace no Brasil, que esteve presente à solenidade no Rio de Janeiro.
"No entanto, o fundo também precisa assegurar aporte de recursos nacionais, já que a economia brasileira também depende da Amazônia. Além disso, é preciso assegurar que haverá vontade política forte para transformar esses recursos em ações efetivas tanto de comando e controle quanto de promoção de atividades florestais responsáveis", disse Furtado.
O presidente Lula também encaminhou ao Congresso Projeto de Lei sobre o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima – instrumento fundamental para viabilizar tanto a Política quanto o Plano Nacional sobre Mudança do Clima. O projeto modifica a Lei do Petróleo e garante que os recursos que deveriam permitir ao Ministério do Meio Ambiente enfrentar acidentes decorrentes da exploração petrolífera – e que atualmente terminam nos cofres da União – sejam realmente empregados em medidas que ajudem a combater o aquecimento global.
"É importante que os recursos apareçam, mas o Plano Nacional de Mudanças Climáticas, que agora está com data marcada para setembro, foi prometido pelo governo há muito tempo. Este atraso é inaceitável, principalmente quando sabemos que o Brasil é o quarto maior emissor mundial de gases que provocam o efeito estufa", lembrou Furtado.
O desmatamento, principalmente na Amazônia, é responsável por 75% das emissões brasileiras e é a principal contribuição do País ao aquecimento global.
Uma terceira medida constante do pacote é a revisão do Protocolo Verde, no qual os bancos públicos se comprometem a financiar atividades ambientalmente responsáveis. O governo ainda espera que bancos privados se juntem ao Protocolo.
Fonte: GreenPeace
sábado, 2 de agosto de 2008
Moratória da soja: um exemplo de que é possível produzir sem desmatar
A moratória da soja completa dois anos nesta quinta-feira e, na avaliação dos diversos setores envolvidos, os avanços são significativos. Mas há desafios que precisam ser encarados com o rigor que merecem para que seja possível acabar com o desmatamento na Amazônia.
No mês passado, a indústria da soja anunciou a extensão da moratória até julho de 2009. No evento, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, se comprometeu a apoiar a moratória da soja, priorizando o cadastro rural nos municípios produtores de soja.
Além de ter colocado diferentes atores da sociedade na mesma mesa de negociação para articular formas de produzir sem destruir a floresta, a iniciativa é um exemplo do poder que os consumidores têm de demandar boas práticas. Afinal, foi através da pressão das indústrias de alimentos consumidoras de soja que as traders que operam no Brasil anunciaram a moratória.
A extensão da moratória foi apoiada pela Aliança das Empresas Consumidoras, da qual participam o Macdonald’s, o Carrefour, a Sadia e o Wal Mart, entre outras. “Nós elogiamos o progresso positivo do Grupo de Trabalho da Soja - responsável pela implementação da moratória - nos últimos dois anos e reconhecemos que muito já foi alcançado. No entanto, nós concordamos que o processo precisa continuar. (...) Esperamos que a moratória continue em vigor até que todos os compromissos tenham sido alcançados”, afirma nota das empresas.
Para o Greenpeace, os principais desafios da moratória neste próximo ano são: a realização do cadastro e licenciamento ambiental das propriedades rurais - responsabilidade a ser partilhada pelo setor da soja e pelos governos estaduais e federal; a ampliação do sistema de monitoramento para incluir mecanismos de rastreabilidade; e assegurar que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) disponibilize o mapa do bioma Amazônia na escala 1:100.000, para a definição das propriedades rurais que estão dentro do bioma.
“É preciso dar nome aos bois. O cadastramento das propriedades rurais permite identificar quem é o responsável pelo desmatamento e separar estes produtores daqueles que acreditam que é possível produzir sem desmatar”, afirma Tatiana de Carvalho, da Campanha Amazônia do Greenpeace.
No início deste ano, o Grupo de Trabalho da Soja realizou o primeiro monitoramento sobre o progresso da moratória e concluiu que a mais recente safra de soja (2007/2008) não veio de novos desmatamentos na região. Mas a verificação de campo realizada pelo Greenpeace, de dezembro de 2007 a março de 2008, constatou que, apesar de ainda não terem sido ocupados pela soja, vários destes desmatamentos ocorreram dentro de fazendas produtoras do grão.
“Na próxima safra podem começar a aparecer casos de produtores que plantaram soja em áreas desmatadas após julho de 2006. O monitoramento dessas áreas vai resultar em um desafio para a indústria: excluir de sua lista de fornecedores aqueles produtores que não respeitaram a moratória, garantindo assim o direito do consumidor de não comprar produtos que causem a destruição da floresta. Esta é a lógica da moratória ”, conclui Tatiana.
Inspirado nesta inciativa, o governo federal, anunciou em Belém na semana passada, o Pacto pela Madeira Legal e Sustentável.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Especial: Incêndios Florestais
Há três componentes necessários para que a ignição e combustão ocorram. Um incêndio requer combustível para queimar, ar para fornecer oxigênio e uma fonte de calor para levar o combustível até a temperatura de ignição. Calor, oxigênio e combustível formam o triângulo do fogo. Os bombeiros freqüentemente falam sobre o triângulo do fogo quando estão tentando acabar com um incêndio. A idéia é que se puderem remover um dos pilares do triângulo, eles podem controlar e finalmente extinguir o fogo.
Após ocorrer a combustão e o fogo começar a queimar, há vários fatores que determinam como o fogo se espalha. Esses três fatores incluem combustível, clima e topografia. Dependendo desses fatores, um incêndio pode desaparecer rapidamente ou se transformar em um enorme incêndio que destrói milhares de acres.
Os incêndios florestais se propagam com base no tipo e quantidade de combustível que os cerca. O combustível pode incluir tudo, desde árvores, arbustos e campos de grama seca a casas. A quantidade de material inflamável que cerca um incêndio é mencionada como carga de combustível. A carga de combustível é mensurada pela quantidade de combustível disponível por área unitária, normalmente, toneladas por acre.

Incêndios, resultantes da ação descuidada do homem, estão cada vez mais freqüentes.
As causas mais comuns de incêndios florestais incluem:
- incêndio intencional
- fogueiras
- cigarros acesos
- queima inadequada de detritos
- brincadeira com fósforos ou fogos de artifício
- incêndios prescritos
O clima desempenha um importante papel no nascimento, crescimento e morte de um incêndio florestal. A aridez leva a condições extremamente favoráveis para incêndios florestais e os ventos ajudam o progresso do incêndio florestal - o clima pode estimular o fogo a se mover mais rápido e abranger uma área maior. Ele também pode tornar o trabalho de combate ao fogo ainda mais difícil. Há três ingredientes do clima que podem afetar os incêndios florestais:
- temperatura
- vento
- umidade
Como mencionado antes, a temperatura afeta a formação de fagulhas de incêndios florestais, pois o calor é um dos três pilares do triângulo do fogo. Os galhos, árvores e arbustos no solo recebem calor radiante do sol, que aquece e seca os combustíveis em potencial. As temperaturas mais quentes permitem que os combustíveis acendam e queimem mais rápido, aumentando a taxa na qual o incêndio florestal se propaga. Por esse motivo, os incêndios florestais tendem a aumentar à tarde, quando as temperaturas estão mais quentes.
Diferenças entre focos de calor, incêndio e queimadas
Focos de calor
Qualquer temperatura registrada acima de 47ºC. Um foco de calor não é necessariamente um foco de fogo ou incêndio.
Queimadas
A queimada é uma antiga prática agropastoril ou florestal que utiliza o fogo de forma controlada para viabilizar a agricultura ou renovar as pastagens. A queimada deve ser feita sob determinadas condições ambientais que permitam que o fogo se mantenha confinado à área que será utilizada para a agricultura ou pecuária.
Incêndio Florestal
É o fogo sem controle que incide sobre qualquer forma de vegetação, podendo tanto ser provocado pelo homem (intencional ou negligência), quanto por uma causa natural, como os raios solares, por exemplo.

Queimadas e incêndios aumentam nos últimos anos
Novos indícios que relacionam o aquecimento global são os novos nº. de grandes incêndios por continente e década, à maior incidência de grandes incêndios florestais em todo o mundo.
Nos EUA houve temporada terrível de incêndios e os estudos mostram o aumento progressivo e constante do nº. de incêndios da área queimada e dos prejuízos causados todos relacionados ao aumento de temperatura.
Existem outros fatores, o padrão de uso do solo também é fundamental. Mas inúmeros novos estudos publicados nos últimos seis meses de 2006 evidenciam que há relação direta entre o nº. de incêndios em todos os continentes, e a temperatura elevada.
Os cientistas afirmam com o ressecamento do solo, a vegetação também resseca e isso torna a natureza mais vulnerável ao fogo. Infelizmente mais incêndios significam quantidades adicionas de CO2 lançados na atmosfera da Terra.Nos últimos anos, dos mais quentes da história segundo os registros meteorológicos, deflagraram, em média, cerca de 50565 incêndios florestais por ano em território europeu, provocando danos em termos de perda de vidas humanas e a nível ambiental. Numa época marcada pelas alterações climáticas e pelo aquecimento global, a Europa debate-se todos os verões com um problema que ainda não conseguiu resolver a uma voz comum.
Não são só as temperaturas elevadas a única causa dos incêndios florestais na Europa. A seca persistente que se tem vivido nos últimos anos com o declínio dos índices de precipitação, a gestão ineficaz das florestas devido a uma deficiente política de ordenamento do território, a plantação de poucas variedades de árvores e, sobretudo, a desertificação das áreas rurais provocada pelo abandono das terras, contribuem também para a situação que se vive neste âmbito na Europa. Em 2003, segundo dados do Programa das Nações Unidas de Combate à Desertificação, 31% do território espanhol e 18% do território italiano encontravam-se numa situação de extrema vulnerabilidade perante a ameaça da desertificação.A atividade criminosa é outro dos motivos para a deflagração de incêndios mas a Comissão a não dispõe ainda de recursos que permitam determinar a porcentagem exata do número de sinistros ocorridos devido a causas humanas.
Como evitar os incêndios?
- Fazer queimadas somente com autorização do Ibama e de forma controlada, com a construção de aceiros - barreiras que impedem a propagação das chamas. O aceiro pode ser feito em forma de vala ou limpeza do terreno de modo a obstruir a passagem do fogo.
- Apagar com água o resto do fogo em acampamentos para evitar que o vento leve as brasas para a mata, causando incêndios.
- Não jogar pontas de cigarro acesas próxima a qualquer tipo de vegetação.
- Está proibido o uso de fogo em áreas de reservas ecológicas, preservação permanente e parques florestais.
Como prevenir um incêndio?
O objetivo da prevenção é impedir que o fogo comece, pois o combate às chamas nem sempre tem condições de ser realizado com êxito. Mas, se iniciado, o importante é que ele não se alastre. Para isso, é preciso levar em consideração as condições da área, a conscientização do perigo das queimadas e uma eficiente fiscalização.
O ser humano é o maior responsável pelos incêndios florestais, devendo ser implantado um programa permanente de educação ambiental, visando a sua conscientização sobre os prejuízos decorrentes das queimadas e a vantagem de se utilizar outras técnicas agrícolas mais modernas.
A conscientização das pessoas é um importante passo a prevenção e pode ser feita nas escolas, imprensa, instituições sociais. Para isso, é importante aproveitar cada oportunidade e prejuízos causados pelo fogo.
O conhecimento do terreno através de mapas, plantas topográficas, dados climatológicos, estradas, acessos, aceiros e mananciais de água próximos irá facilitar a ação dos bombeiros e da brigada em caso de incêndio, principalmente se isso for feito fora do período chuvoso, de maio a setembro.
Sinalizar o risco de incêndio pode ser feito através de cartazes, placas ou painéis em pontos estratégicos. É importante, nos períodos críticos, que a vigilância seja feita através de torres bem equipadas e com apoio da própria população.
Agindo em parceria com outras empresas reflorestadoras ou agrícolas, indústrias da região e prefeituras, os incêndios serão evitados e um eventual combate surtirá melhores resultados.
O Corpo de Bombeiros e as Brigadas Voluntárias de Combate a Incêndios Florestais devem sempre ser avisados o mais depressa possível em casos de incêndio. É bom lembrar que o trabalho pesado deve ser deixado para pessoas capacitadas. O Corpo de Bombeiros oferece treinamento gratuito para Brigada de Incêndio. Para participar como voluntário, basta estar bem preparado fisicamente e consciente da importância dessa tarefa.
Além das parcerias com o Instituto Estadual de Florestas, IEF, Corpo de Bombeiros Militar e Polícia Militar de Minas Gerais, a Cemig conta com a sua ajuda, porque o maior amigo do fogo é a falta de informação.

Penalidades
Os infratores estarão sujeitos às penas previstas nos artigos 14 e 15 da Lei 9.605 (Lei de Crimes Ambientais). As penas podem chegar a prisão (de três a seis anos) e multas de até R$ 4.960,00. O valor será aumentado com a regulamentação da Lei, pelo Ministério do Meio Ambiente, podendo variar de R$ 50,00 a R$ 50 milhões.
Na visão global, o fogo é considerado natural, pois o número de focos de calor, queimadas e incêndios nesta época de seca prolongada em todo o hemisfério sul. Fazer queimadas para uso agropecuário é uma prática cultural não só do Brasil e de difícil substituição. Caso fossem observadas as normas para queimada controlada e se a população contribuísse deixando de jogar pontas de cigarro acesas nas margens das estradas, apagassem restos de fogo em acampamentos e tivessem maiores cuidados ao lidar com o fogo, seriam menores as estatísticas.
Assistam uma matéria sobre os incêndios no YouTube - Aquecimento Global Causa 5 vezes + incendios em 2008
terça-feira, 29 de julho de 2008
segunda-feira, 28 de julho de 2008
O que nós somos ?
- O eu consumo?
- Eu tenho o hábito de reciclar ?
- Eu favoreço a população com aquecimento global ?
- A culpa também é minha ?
- Em meu lar colaboro com o desperdício ?
- Que marca deixarei no mundo ?
São estas perguntas juntamente com muitas outras que devemos responder, refletir e agir para fazer a diferença no mundo. Você poderá estimar a quantidade recursos naturais necessários para sustentar suas atividades diárias, respondendo um questionário de 15 perguntas que a WWF fez para termos uma base da pegada que deixaremos no planeta Terra.
Confira as marcas que você quer deixar no planeta no site: http://www.pegadaecologica.org.br/
Eu já passei por este questionário, aprendi muito e não deixarei marcas boas se não mudar meu modo de viver... Aprovo e recomendo para toda a população. Por isso afirmo a todos que sou também uma ameaça para o PLANETA TERRA . Mas estou aprendendo a mudar isso !!!
