domingo, 17 de agosto de 2008
Especialistas: consumo consciente é "comer menos"
Isso teria, naturalmente, o benefício adicional de reduzir medidas e melhorar a saúde, o que proporcionaria poupanças adicionais de redução dos custos com a saúde.
Outro benefício nesse corte no consumo seria a redução das emissões dos gases causadores do efeito estufa - dizem os pesquisadores - o que contribuiria para reduzir os bilhões de dólares em prejuízos previstos com o aquecimento do mundo.
Cerca de 19% do consumo energético dos Estados Unidos é gasto na produção e fornecimento de alimentos, afirma o cientista David Pimentel da Universidade de Cornell na última edição da publicação Human Ecology. Considerando que o americano médio consome um número estimado de 3.747 calorias por dia - pelo menos 1.200 a mais do que aconselham os especialistas de saúde -, todos os pesquisadores sugerem cortes de consumo.
Produtos de origem animal e os chamados "junk food", em particular, utilizam mais energia e outros recursos para a sua produção do que produtos naturais como batata, arroz, frutas e legumes.
Produzir tudo o que é usado em um único hambúrguer, por exemplo, requer cerca de cinco mil litros de água, de acordo com site da U.S. Geological Survey, fonte oficial do governo dos Estados Unidos.
Alimentos do futuro
Um estudo realizado em 2006 pelos pesquisadores Gidon Eshel e Pamela Martin, da Universidade de Chicago, descobriu que uma dieta vegetariana é a que tem menos gastos em termos de energia, seguido da dieta que inclui aves. Dietas com carne vermelha ou peixe são as que têm custos mais altos.
"Ao reduzir a ingestão de 'junk food' e converter a dieta em outra com menos carne vermelha, poderíamos ter uma enorme redução sobre o consumo de combustível, bem como a melhoria da saúde pública", afirma Pimentel.
O Engenheiro Agrônomo com mestrado em produção animal pela UFRGS Gustavo Javier Wassermann afirma que, apesar da alimentação vegetariana causar menos impacto no meio ambiente, o consumo mundial de proteínas de origem animal é crescente ano a ano. "Em termos de aproveitamento energético, os alimentos de origem vegetal estão no topo da cadeia. Mas pesquisas apontam que o mundo tem preferência por comer proteínas ricas, que são as de origem animal", afirma.
Para o cientista, a maneira de combinar este aumento de consumo de carnes com um menor impacto ambiental, seria mesmo dar preferência ao consumo de aves. Gustavo explica que "as aves de corte têm ciclo curto, ou seja, têm curto período entre o nascimento e o abate, se comparado às outras culturas como a de bovinos. Um frango está pronto para o abate aos 40 dias de vida, já um bovino necessita de dois anos."
Outro fator que deve ser considerado é a chamada conversão alimentar. Segundo o Agrônomo, "a conversão alimentar é a relação entre a quantidade de alimentos que o animal consome e a quantidade que ele produz. Entre os Bovinos, os peixes e as aves, estas últimas produzem mais alimento em relação ao seu consumo, por isso são consideradas mais eficientes me termos energéticos."
Além de todos estes fatores, "a produção de aves de corte é a que necessita de menor quantidade de água, que é um bem em crescente escassez no mundo", completa o cientista.
Consumidor no controle
Os estudos da Universidade de Cornell, conduzidos por David Pimentel, afirmam que o consumidor está na posição mais forte para contribuir para uma redução da utilização de energia.
"Assim que os indivíduos aderem a um estilo de vida ecológico, a concientização da influência que suas escolhas alimentares têm sobre os recursos energéticos, poderia ser um incentivo para que elas comprem produtos saudáveis e evitem aqueles alimentos altamente processados, muito embalados e menos nutritivos", afirma o pesquisador. "Além de conduzir para um meio ambiente mais limpo, isto levará também a uma saúde melhor."
sábado, 16 de agosto de 2008
Solo Perenemente Congelado (permafrost)
O degêlo parcial de camadas do permafrost desenvolve feições superficiais métricas a decamétricas poligonizadas, onde podem se concentrar frações detríticas contidas no gelo, em um padrão que fica bem marcado na tundra.
INTTRODUÇÃO
No Alaska e na Sibéria onde o derretimento e degelo do solo perenemente congelado (permafrost) estão causando a queda das construções produzindo o fenômeno conhecido como "árvores embriagadas". O mais importante de tudo isso é o impacto que pode ocorrer na Sibéria e em parte do Alaska, onde há uma enorme quantidade de CO2 e Metanos congelados, que aumentará drasticamente a quantidade de poluição ambiental na atmosfera da Terra se forem descongelados.
A quantidade total de CO2 na atmosfera da Terra a maior parte gerada pela atividade humana é de 730 trilhões de toneladas de CO2 , mas se ultrapassarmos o nível de alerta, níveis de CO2 mundiais aumentaram com o derretimento do solo e permitindo o derretimento dessas áreas na Sibéria e no Alaska podemos liberar o carbono congelado o que, em um curto espaço de tempo dobraria a quantidade de CO2 na atmosfera terrestres.
Tuntra
A tundra é a vegetação proveniente do material orgânico que aparece no curto período de degelo durante a estação quente das regiões de clima frio, apresentando assim apenas espécies de que se reproduzem rapidamente e que suportam baixas temperaturas. Aparece em regiões como o Norte do Alasca e do Canadá , Groelândia , Noruega , Suécia , Finlândia e Sibéria . A Tundra Ártica surge a sul da região dos gelos polares do Ártico, entre os 60º e os 75º de latitude Norte, e estende-se pela Escandinávia, Sibéria, Alasca, Canadá e Groelândia. Situada próximo do pólo norte, no círculo polar Ártico, recebe pouca luz e pouca chuva, apresentando um clima polar, frio e seco. O solo permanece gelado e coberto de neve durante a maior parte do ano. Apresenta Invernos muito longos, com uma duração do dia muito curta, não excedendo a temperatura os -6ºC (temperatura média entre os -28ºC e os -34ºC). Durante as longas horas de escuridão a neve que vai caindo acumula-se, devido aos fortes ventos, nas regiões mais baixas, obrigando os animais a permanecerem junto ao solo e apenas a procurar comida para se manterem quentes. As quantidades de precipitação são muito pequenas, entre 15 e 25 cm, incluindo a neve derretida. Apesar da precipitação ser pequena, a Tundra apresenta um aspecto húmido e encharcado, em virtude da evaporação ser muito lenta e da fraca drenagem do solo causada pelo permafrost. Só no Verão, com a duração de cerca de 2 meses, em que a duração do dia é cerca de 24 h e a temperatura não excede os 7º-10 ºC, a camada superficial do solo descongela, mas a água não se consegue infiltrar por as camadas inferiores se encontrarem geladas (permafrost, que começa a uma profundidade de alguns centímetros e se prolonga até 1 metro ou mais). Formam-se então charcos e pequenos pântanos. A duração do dia é muito longa e ocorre uma explosão de vida vegetal, o que permite que animais herbívoros sobrevivam - bois almiscarados, lebres árticas, renas e lemingues na Europa e na Ásia e caribus na América do Norte. Estes por sua vez constituem o alimento de outros animais, carnívoros, como os arminhos, raposas árticas e lobos. Existem também algumas aves como a perdiz-das-neves e a coruja-das-neves. A vegetação predominante é composta de líquenes (plantas resultantes da associação de fungos e algas, que crescem muito lentamente e extraordinariamente resistentes à falta de água, que conseguem sobreviver nos ambientes mais hostis), musgos, ervas e arbustos baixos, devido às condições climáticas que impedem que as plantas cresçam em altura. As plantas com raízes longas não se podem desenvolver pois o subsolo permanece gelado, pelo que não há árvores. Por outro lado, como as temperaturas são muito baixas, a matéria orgânica decompõe-se muito lentamente e o crescimento da vegetação é lento. Uma adaptação que as plantas destas regiões desenvolveram é o crescimento em maciços, o que as ajuda a evitar o ar frio. Mas as adaptações das plantas típicas da Tundra não ficam por aqui. Crescem junto ao solo o que as protege dos ventos fortes e as folhas são pequenas, retendo, com maior facilidade, a humidade. Apesar das condições inóspitas, existe uma grande variedade de plantas que vivem na Tundra Ártica. A maioria dos animais, sobretudo aves e mamíferos, apenas utilizam a Tundra no curto Verão, migrando, no Inverno, para regiões mais quentes. Os animais que ali vivem permanentemente, como os ursos polares, bois almiscarados (na América do Norte) e lobos árticos, desenvolveram as suas próprias adaptações para resisitir aos longos e frios meses de Inverno, como um pêlo espesso, camadas de gordura sob a pele e a hibernação. Outro animal muito peculiar da Tundra é o da espécie Paoliello, conhecido também como Pololô. Essas criaturas têm um costume inexplicável de guardar galhos e bananas gigantes, típicas da região, em suas cavidades anais. Não se sabe ao certo se eles fazem isso por necessidade ou por puro prazer, uma vez que casos de homosexualidade são comuns nos machos da espécie. Como forma de proteção contra o frio, os Pololôs apresentam uma grossa camada de gordura e dentes que são capazes de perfurar toda a crosta de gelo, permitindo assim o acesso a musgos e outras fontes de alimento. Por exemplo, os bois almiscarados apresentam duas camadas de pêlo, uma curta e outra longa. Também possuem cascos grandes e duros o que lhe permite quebrar o gelo e beber a água que se encontra por baixo. Os répteis e anfíbios são poucos ou encontram-se completamente ausentes devido às temperaturas serem muito baixas. Lebre Ártica, no Inverno e no Verão. A cor do pêlo ajuda o animal a camuflar-se. Fonte: "Páginas da Natureza, 5º ano". Editorial O Livro Tundra Alpina A Tundra Alpina encontra-se em vários países e situa-se no topo das altas montanhas. É muito fria e ventosa e não tem árvores. Ao contrário da Tundra Ártica, o solo apresenta uma boa drenagem e não apresenta permafrost. Apresenta ervas, arbustos e musgos, tal como a Tundra Ártica. Encontram-se animais como as cabras da montanha, alces, marmotas (pequeno roedor), insectos (gafanhotos, borboletas, escaravelhos).
Por que o gelo ártico está derretendo 50 anos antes do esperado?
Introdução
Em 19 de agosto de 2007, uma pesquisa conjunta da Japan Agency for Marine-Earth Science and Technology (Agência Japonesa para Ciência e Tecnologia do Mar e da Terra) e da Japan Aerospace Exploration Agency (Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial) revelou que o gelo ártico estava derretendo em um ritmo muito mais rápido do que o estimado. O que é particularmente alarmante sobre essa descoberta é que os modelos cientificos das Nações Unidas estimaram que os níveis de gelo medidos pela equipe japonesa não seriam atingidos antes de 2040, talvez nem mesmo antes de 2050.
Um pesquisador do Colorado Center for Astrodynamics (Centro de Astrodinâmica de Colorado) disse que o gelo ártico está derretendo em um ritmo nunca visto antes [fonte: Science Daily]. O derretimento fez que o gelo costeiro em partes do Canadá (em inglês) e do Alasca (em inglês) se tornasse bastante frágil. Esse gelo se desprende em grandes blocos (um processo conhecido como desprendimento) e derrete no oceano aberto. Também existe menos gelo do mar no Oceano Ártico porque o gelo flutuou para o Oceano Atlântico. O registro anterior mais baixo de gelo do mar Ártico foi feito em 15 de agosto de 2005, embora os cientistas tenham falado que havia uma grande probabilidade de que esse registro fosse ainda menor em 2007.
O Ártico apresentou um outro marco no verão de 2007. Em agosto, a Passagem Noroeste não tinha quase nenhum gelo flutuante. Foi a primeira vez que a Passagem esteve completamente aberta para navegação desde que se começaram a fazer registros em 1972. Os cientistas dizem que a falta de gelo representa uma prova clara de que o planeta está aquecendo. A rota, que agora é de mar aberto, significa que uma pessoa poderia navegar de Nova York à Coréia sem se deparar com nenhum gelo, apesar de ser possível encontrar mau tempo. Em comparação, o primeiro explorador a navegar com sucesso pela Passagem Noroeste, Roald Amundsen, levou três anos para atravessar a espessa camada de gelo da hidrovia.
O gelo do mar é basicamente medido por meio de três métodos: sensores de microondas em satélites na órbita, bóias e plataformas de observação. Os dois últimos geralmente são equipados com vários tipos de instrumentos de medição. Os cientistas concentram as medições na extensão do gelo do mar e não em sua espessura, já que é mais fácil os satélites medirem a extensão. Quando estão examinando gelo do mar, os cientistas observam a extensão mínima e máxima, a espessura, as condições ambientais e as mudanças no período de derretimento. O período de derretimento do gelo do mar Ártico geralmente dura de março até a metade de setembro.
Esse ritmo de derretimento do gelo ártico deixou os cientistas preocupados com o aumento dos níveis do mar, com a diminuição dos hábitats dos ursos polares e de outros animais, e com a corrida por combustíveis fósseis prestes a acontecer na região.
O crescimento do tráfego pela Passagem Noroeste e Nordeste (que passa pela Sibéria) pode aumentar a poluição na área.
O gelo se forma de novo durante o inverno, mas, devido às águas mais quentes, a quantidade de gelo que é recomposto parece estar diminuindo. O gelo, que antes era considerado "permanente", agora está derretendo. Isso deixa uma base de gelo cada vez menor no início de cada período de derretimento.
O gelo do mar tem um importante papel de manter as temperaturas baixas ao redor do mundo. O gelo do mar reflete 80% da luz do sol para a atmosfera, ao passo que a água do oceano absorve 90% dessa luz [fonte: Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo]. Como o gelo derretido expõe mais partes do oceano à luz do sol direta, os cientistas supõem que a temperatura da água vai aumentar, acelerando o derretimento do gelo.
Na próxima seção, vamos dar uma olhada em mais conseqüências do derretimento do gelo ártico, inclusive na corrida para explorar o fundo do mar e nos valiosos depósitos de energia que existem nele.
Conseqüências do derretimento do gelo ártico
A abertura da Passagem Noroeste e o derretimento do gelo ártico permitiram acesso a partes do Oceano Ártico e do fundo do mar que estiveram bloqueadas por séculos. Como conseqüência, vários países estão tentando se apoderar de partes do Ártico abertas na esperança de alcançar algumas das reservas de petróleo e de gás natural enterradas no fundo do mar. Os especialistas calculam que 25% das reservas de combustíveis fósseis que restam no mundo se encontram no fundo do mar Ártico [fonte: Guardian Unlimited]. O comentarista Jeremy Rifkin apontou, com ironia, que a queima de combustíveis fósseis e o subseqüente aumento das temperaturas globais tornaram possível o acesso a essas reservas de petróleo e de gás há tanto tempo bloqueadas [fonte: Houston Chronicle].
A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982, oferece aos países uma zona econômica com extensão de 320 quilômetros a partir de seus litorais e, por causa das cláusulas desse tratado, alguns países estão reivindicando partes do Ártico. Em agosto de 2007, a Rússia colocou uma bandeira no fundo do mar Ártico afirmando que parte dessa região é uma extensão de sua plataforma continental. O Canadá, a Noruega e a Dinamarca (por meio da Groenlândia) estão fazendo afirmações parecidas. Os Estados Unidos e o Canadá ainda disputam o direito de posse da Passagem Noroeste, ao passo que a Dinamarca e o Canadá reivindicam a posse da ilha Hans.
Alguns comentaristas dizem que uma nova exploração de petróleo que está a caminho irá causar mais danos ao frágil ambiente da região. Apesar da controvérsia, particularmente a Rússia e o Canadá parecem estar em uma busca agressiva por seus direitos sobre a região. A Rússia está expandindo as operações de perfuração em águas ao largo da costa da Sibéria. O Canadá está gastando vários bilhões de dólares para construir um porto marítimo debaixo das águas e colocar novos navios para rondar seu território ártico. O primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, disse que "a postura do Canadá é que queremos nosso lugar na área ártica" [fonte: CanWest News Service].
Os cientistas chamam essa corrida por combustíveis fósseis e o derretimento do permafrost na Sibéria e em outras áreas de "uma bomba prestes a explodir" [fonte: Houston Chronicle]. O vasto permafrost da Sibéria continua a derreter, e agora grandes quantidades de metano, presas debaixo do gelo, podem ser liberadas. O metano é um gás de efeito estufa altamente potente, cerca de 20 vezes mais forte que o dióxido de carbono. Os cientistas temem que a liberação dessa quantidade de metano possa dar início a um tipo de círculo vicioso, em que a liberação aumenta o nível do aquecimento global, que estimula o derretimento do permafrost e resulta na liberação de mais metano [fonte: Houston Chronicle].
Um dos efeitos mais visíveis do derretimento do gelo ártico é o desprendimento de grandes pedaços de gelo de geleiras e de blocos de gelo. Em 2005, a ilha de gelo Ayles, um pedaço de gelo de 77 km2, desprendeu-se do bloco de gelo Ayles do Canadá e começou a se movimentar pelo Ártico. Algumas pessoas temeram que a ilha de gelo colidisse com uma torre de perfuração do Alasca no mar Beaufort, mas, no fim de agosto de 2007, ela ficou presa em um canal no Grande Ártico, a 480 quilômetros de seu local de origem.
Fonte: HowStuffWorks
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Aquecimento global pode dar prejuízo de até R$ 14 bilhões à agricultura brasileira
- Alterações previstas
O aumento provavelmente inevitável da temperatura no país, além de fazer as plantas e o solo perderem mais água por evapotranspiração, não deve ser compensado por um aumento correspondente de chuvas. É o que afirma Hilton Silveira Pinto, agrônomo do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Unicamp e co-autor do estudo. “Os dados sobre chuva que nós obtivemos com o modelo climático são irregulares, mas há 4.000 estações da ANA [Agência Nacional de Águas] espalhadas pelo Brasil, com mais de 25 anos de dados. E a conclusão é que não há variação no total de chuva. Por isso, o que deve haver é o aumento de eventos extremos”, diz o pesquisador. Trocando em miúdos: a água que cai do céu ao longo do ano como um todo não deve variar, mas é quase certo que haja mais tempestades furiosas, intercaladas por períodos cada vez mais longos de seca. “É uma tendência que a gente já está vendo nos últimos 50, 60 anos”, afirma o agrônomo. Isso significa tanto uma possibilidade maior de falta d’água nas fases mais críticas do crescimento das plantas quanto a intensificação da aridez em regiões que já são naturalmente ressequidas, como a caatinga do Nordeste e do norte de Minas. “No caso do oeste da Bahia, por exemplo, em que há grande produção de frutas com irrigação, a situação pode ficar crítica”, diz Silveira Pinto. - Adaptação e mitigação
E, se o problema vai ser água de menos, as medidas para diminuir a liberação de gás carbônico na atmosfera ou para se adaptar às temperaturas mais altas também podem ter um impacto positivo sobre os recursos hídricos, diz o pesquisador. Uma delas é o plantio direto, no qual a palhada da safra já colhida continua no solo durante a nova semeadura. “Com isso, você consegue uma economia de água de 10% e seqüestra [armazena] uns 500 kg de carbono por hectare ao ano”, afirma. Outra combinação interessante é juntar numa só mistura sistemas agroflorestais (eucalipto plantado, por exemplo), lavouras anuais e gado. O aproveitamento máximo do solo - de preferência em áreas que hoje são pastagem degradada -- também aumenta o seqüestro de carbono (via árvores), mantém o gado “sombreado” pela agrofloresta e pode até quadruplicar a produtividade da pecuária. Uma aposta da Embrapa para a sobrevivência às mudanças climáticas são os chamados “transgênicos de segunda geração”, projetados não para serem maiores, melhores e sobreviverem sem pesticidas, mas para suportarem temperaturas mais altas. O segredo está nos genes de plantas típicas dos climas mais quentes do país, como o umbu e a sirigüela. Assad acredita que esse tipo de alteração genética pode manter o café em Minas e o algodão no Nordeste. “A biodiversidade brasileira, que está sendo destruída, é a verdadeira salvação da lavoura”, diz ele. Para realizar tudo isso, o “gigante adormecido” conta com uma posição especial. “Temos domínio da agricultura tropical. Temos o conhecimento, temos o pessoal e, mais importante, temos área suficiente para colocar tudo isso em prática”, afirma Assad. “Mas precisamos de recursos. E precisamos começar já. Essas são estratégias que demoram anos para dar resultados. Já devíamos ter começado antes”, diz ele Silveira Pinto aposta que os agricultores brasileiros não vão ficar de braços cruzados diante das necessidades impostas pelas mudanças climáticas. “Para começar, todo o sistema de financiamento agrícola do Brasil já depende do zoneamento de risco climático. E em agricultura conta muito o que chamamos de exemplo do vizinho. Quem adotar essas mudanças vai ser copiado”, afirma.
domingo, 10 de agosto de 2008
Especial: Biocombustíveis x Alimentos
m todo caso, a pergunta é oportuna, visto que o aumento do preço de alimentos básicos (como o açúcar, o óleo de soja, verduras e laticínios) pode ser desastroso para a população pobre do planeta.
Para responder a pergunta, é preciso compreender a relação entre biocombustíveis e a formação de preços dos alimentos ao consumidor. Façamos um breve raciocínio lógico.
1. O que os biocombustíveis têm a ver com os alimentos que compramos?
Tudo. A matéria-prima do açúcar refinado, por exemplo, é a mesma cana-de-açúcar utilizada na produção do etanol. Enquanto no Brasil as culturas mais utilizadas para a produção de biocombustível são cana-de-açúçar, soja, palma (dendê) e mamona, nos EUA o alimento utilizado é o milho, com uma produtividade muito menor que as das matérias-primas brasileiras.
2. Aumento da demanda
Nós, consumidores, agora temos que dividir parte destes alimentos com um consumidor voraz: a indústria de biocombustíveis. A demanda por produtos que são usados tanto em biocombustíveis como em alimentos cresceu, e vai crescer cada vez mais. E, segundo a lei da oferta e procura (a mais inexorável das leis do capitalismo), os preços podem subir tanto para um mercado quanto para o outro. Se houver mais demanda de um lado, haverá um preço do outro.
3. Diminuição de outras culturas
Como produzir biocombustíveis virou febre no Brasil, os agricultores têm substituído suas culturas tradicionais (como mamão, laranja, cenoura, batata e outras), para plantar aquelas utilizadas na produção de etanol e biodiesel. Por enquanto, de uma maneira pequena em relação a área plantada. A oferta destes alimentos, portanto, tende a diminuir, enquanto a demanda continuará a mesma. O resultado é o aumento dos preços de alimentos ao consumidor.
4. Aumento indireto de preços
Parte da alimentação dos bovinos, suínos e aves é composta por insumos utilizados na produção de biocombustíveis. Ou seja, pode ficar mais caro alimentar estes animais. E este aumento de custo será repassado aos consumidores - carnes e laticínios podem ficar mais caros.
Ao longo de 2006, o preço internacional do milho (matéria-prima não só da tortilla, mas do etanol nos EUA) subiu 55%. A soja, cuja produção foi reduzida nos EUA para abrir espaço para o milho, teve alta de 13%, segundo o International Food Policy Research Institute (IFPRI).
Na economia brasileira, de 2006 a 2007, alguns alimentos apresentaram elevação dos preços acima do esperado, de acordo com estatísticas da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O açúcar refinado, por exemplo, ficou 15,74% mais caro no varejo no período. No período do Pró-álcool, a primeira tentativa de usar etanol nos veículos brasileiros ocorrida nos anos 80, houve muita especulação e os usineiros, às vezes, vendiam para os produtores do etanol e, às vezes, para os produtores de açúcar.
Os especialistas já não ignoram mais a existência de uma correlação entre preços de alimentos e aumento da demanda de biocombustíveis. A constatação veio por meio do informe Perspectivas Agrícolas 2007-2016, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), publicado em setembro de 2007.
De acordo com o relatório, a demanda por biocombustíveis em nível mundial vai duplicar em 10 anos. Do lado da oferta, estima-se que até 2016 a União Européia (UE) irá produzir 21 milhões de toneladas de biocombustíveis, ante aos atuais 10 milhões; os EUA irão dobrar sua produção e o Brasil, por sua vez, irá saltar de 21 para 44 bilhões de litros produzidos anualmente. A China, ainda segundo a OCDE, irá expandir sua produção de etanol em cerca de 3,8 bilhões de litros por ano.
Será mesmo que, como todo este movimento de mercado, os preços dos alimentos não serão afetados?
Mocinho ou vilão?
Parece até brincadeira. Os biocombustíveis, até então vistos como uma das alternativas mais viáveis para a substituição dos combustíveis fósseis, agora são bombardeados por críticas, vindas de todos os lados.
Veja abaixo os possíveis problemas gerados pelo crescimento desenfreado do consumo de biocombustíveis e algumas alternativas para isso.
Aumento do preço de alimentos (diretos e indiretos) - O aumento da demanda de plantas para a produção dos biocombustíveis pode elevar os preços (direta e indiretamente) de diversos produtos ao consumidor. As conseqüências, no médio e longo prazos, são nefastas para a população pobre do mundo. Do outro lado, há produtividade diferenciada para várias tipos de biocombustíveis. Alguns dos mais improdutivos são soja e milho, dos mais produtivos, cana-de-açúcar e mamona.
Exclusão social - O modelo de produção de biocombustíveis, baseado em grandes propriedades e na geração de sub-empregos, é considerado socialmente excludente. Do outro lado, se você levado a sério uma política de incentivo ao pequeno agricultor poderia resolver parte do problema.
Aumento do efeito estufa - Estudos científicos publicados em outubro de 2007 comprovaram que, se o processo produtivo for considerado na somatória de emissão de gases do efeito estufa, os biocombustíveis chegam a ser 70% mais nocivos do que combustíveis fósseis, mas isso porque ainda utilizam os combustíveis fósseis para o transporte da produção e, no caso americano, até para a produção de etanol. No Brasil, a produção é feito com o uso do próprio etanol.
Desmatamento de florestas - O aumento da área plantada de cana-de-açúcar poderá pressionar a atual área agropecuária brasileira no sentido da Amazônia e, conseqüentemente, ao desmatamento da floresta.
Um ano após o anúncio do aumento da demanda mundial de biocombustíveis, em 2006, estatísticas apontaram um crescimento no percentual de desmatamento da Amazônia, que há cinco anos seguia tendência de diminuição;
Insuficiência de recursos hidricos - Atualmente a quantidade de água utilizada em todo o mundo na produção de alimentos é da ordem de 7 mil metros cúbicos, de acordo com o Instituto Internacional da Água de Estocolmo (SIWI). A estimativa é que, até o ano 2050, este consumo praticamente dobre. Nas palavras de Jan Lundqvist, diretor do conselhor da SIWI, "as projeções indicam que a água necessária para produzir biocombustíveis crescerá na mesma proporção que a demanda de água por alimentos, o que representaria a necessidade de 20 a 30 milhões de quilômetros cúbicos em 2050. E isto não é possível".
Alternativas mais eficientes - Um estudo britânico publicado na revista Science demonstrou que as florestas podem absorver de duas a nove vezes mais carbono, em um período de 30 anos, do que as emissões evitadas pelo uso de biocombustíveis.
É importante salientar que parte dessas críticas são também um alerta para que parte do processo de produção do biocombustível, por exemplo, possa ser melhorado para evitar os desastres.
Algumas das possíveis melhoras são:
* A escolha de matérias-primas mais produtivas
* O uso de terras já desmatadas e não cultivadas para o plantio
* A diminuição do combustível fóssil no processo de produção e transporte
* A utilização de pequenos agricultores para a produção de matéria-prima
Fonte: HowStuffWorks
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Floresta amazônica ganha fundo com US$ 1 bilhão para combater destruição
O Fundo Amazônia ficará abrigado no BNDES e poderá receber contribuições nacionais e internacionais, exceto do poder público brasileiro – o que, em tese, garante maior agilidade e independência na tomada de decisões e na aplicação dos recursos. Esta destinação será aprovada por um Conselho Tripartite, envolvendo, de um lado, o governo federal e seus órgãos; de outro, os estados da Amazônia Legal; e uma terceira câmara formada pela sociedade civil, incluindo representantes de ONGs, povos indígenas, trabalhadores rurais, indústria e academia.
As decisões do Conselho serão tomadas por consenso e cada câmara terá direito a apenas um voto. Quinta-feira, em uma reunião no Palácio do Planalto, o governo decidiu que o fundo não será administrado pelo ministro Roberto Mangabeira Unger, responsável pelo Plano Amazônia Sustentável (PAS).
Em seu discurso, Lula afirmou que o Brasil é um país soberano e que não existe problema quanto ao controle da floresta.
"O Brasil vai assumir, sim, sua responsabilidade de cuidar da Amazônia e controlar as emissões provenientes do desmatamento. Sabemos e devemos cuidar da Amazônia. E cuidar da Amazônia é bom para a economia do País também", afirmou o presidente.
Lula também apoiou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, sobre a adoção de moratórias setoriais, como a da soja e a da madeira legal.
"É melhor ter um bom acordo com os setores do que não fazer nada", disse ele.
O Fundo Amazônia foi inspirado na proposta do Pacto pelo Desmatamento Zero, apresentado ao governo e ao Congresso pelo Greenpeace e outras oito ONGs, em outubro de 2007. A medida também é consistente com a proposta do Greenpeace de criação de um mecanismo financeiro que permita a arrecadação de recursos em grande escala para viabilizar a redução acelerada do desmatamento em escala global, apresentada em Bali, em dezembro de 2007.
"A criação do Fundo Amazônia é um passo importante para assegurar os recursos necessários para combater o desmatamento, valorizar a floresta e a defesa do patrimônio biológico da região", disse Marcelo Furtado, diretor-executivo do Greenpeace no Brasil, que esteve presente à solenidade no Rio de Janeiro.
"No entanto, o fundo também precisa assegurar aporte de recursos nacionais, já que a economia brasileira também depende da Amazônia. Além disso, é preciso assegurar que haverá vontade política forte para transformar esses recursos em ações efetivas tanto de comando e controle quanto de promoção de atividades florestais responsáveis", disse Furtado.
O presidente Lula também encaminhou ao Congresso Projeto de Lei sobre o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima – instrumento fundamental para viabilizar tanto a Política quanto o Plano Nacional sobre Mudança do Clima. O projeto modifica a Lei do Petróleo e garante que os recursos que deveriam permitir ao Ministério do Meio Ambiente enfrentar acidentes decorrentes da exploração petrolífera – e que atualmente terminam nos cofres da União – sejam realmente empregados em medidas que ajudem a combater o aquecimento global.
"É importante que os recursos apareçam, mas o Plano Nacional de Mudanças Climáticas, que agora está com data marcada para setembro, foi prometido pelo governo há muito tempo. Este atraso é inaceitável, principalmente quando sabemos que o Brasil é o quarto maior emissor mundial de gases que provocam o efeito estufa", lembrou Furtado.
O desmatamento, principalmente na Amazônia, é responsável por 75% das emissões brasileiras e é a principal contribuição do País ao aquecimento global.
Uma terceira medida constante do pacote é a revisão do Protocolo Verde, no qual os bancos públicos se comprometem a financiar atividades ambientalmente responsáveis. O governo ainda espera que bancos privados se juntem ao Protocolo.
Fonte: GreenPeace
sábado, 2 de agosto de 2008
Moratória da soja: um exemplo de que é possível produzir sem desmatar
A moratória da soja completa dois anos nesta quinta-feira e, na avaliação dos diversos setores envolvidos, os avanços são significativos. Mas há desafios que precisam ser encarados com o rigor que merecem para que seja possível acabar com o desmatamento na Amazônia.
No mês passado, a indústria da soja anunciou a extensão da moratória até julho de 2009. No evento, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, se comprometeu a apoiar a moratória da soja, priorizando o cadastro rural nos municípios produtores de soja.
Além de ter colocado diferentes atores da sociedade na mesma mesa de negociação para articular formas de produzir sem destruir a floresta, a iniciativa é um exemplo do poder que os consumidores têm de demandar boas práticas. Afinal, foi através da pressão das indústrias de alimentos consumidoras de soja que as traders que operam no Brasil anunciaram a moratória.
A extensão da moratória foi apoiada pela Aliança das Empresas Consumidoras, da qual participam o Macdonald’s, o Carrefour, a Sadia e o Wal Mart, entre outras. “Nós elogiamos o progresso positivo do Grupo de Trabalho da Soja - responsável pela implementação da moratória - nos últimos dois anos e reconhecemos que muito já foi alcançado. No entanto, nós concordamos que o processo precisa continuar. (...) Esperamos que a moratória continue em vigor até que todos os compromissos tenham sido alcançados”, afirma nota das empresas.
Para o Greenpeace, os principais desafios da moratória neste próximo ano são: a realização do cadastro e licenciamento ambiental das propriedades rurais - responsabilidade a ser partilhada pelo setor da soja e pelos governos estaduais e federal; a ampliação do sistema de monitoramento para incluir mecanismos de rastreabilidade; e assegurar que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) disponibilize o mapa do bioma Amazônia na escala 1:100.000, para a definição das propriedades rurais que estão dentro do bioma.
“É preciso dar nome aos bois. O cadastramento das propriedades rurais permite identificar quem é o responsável pelo desmatamento e separar estes produtores daqueles que acreditam que é possível produzir sem desmatar”, afirma Tatiana de Carvalho, da Campanha Amazônia do Greenpeace.
No início deste ano, o Grupo de Trabalho da Soja realizou o primeiro monitoramento sobre o progresso da moratória e concluiu que a mais recente safra de soja (2007/2008) não veio de novos desmatamentos na região. Mas a verificação de campo realizada pelo Greenpeace, de dezembro de 2007 a março de 2008, constatou que, apesar de ainda não terem sido ocupados pela soja, vários destes desmatamentos ocorreram dentro de fazendas produtoras do grão.
“Na próxima safra podem começar a aparecer casos de produtores que plantaram soja em áreas desmatadas após julho de 2006. O monitoramento dessas áreas vai resultar em um desafio para a indústria: excluir de sua lista de fornecedores aqueles produtores que não respeitaram a moratória, garantindo assim o direito do consumidor de não comprar produtos que causem a destruição da floresta. Esta é a lógica da moratória ”, conclui Tatiana.
Inspirado nesta inciativa, o governo federal, anunciou em Belém na semana passada, o Pacto pela Madeira Legal e Sustentável.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Especial: Incêndios Florestais
Há três componentes necessários para que a ignição e combustão ocorram. Um incêndio requer combustível para queimar, ar para fornecer oxigênio e uma fonte de calor para levar o combustível até a temperatura de ignição. Calor, oxigênio e combustível formam o triângulo do fogo. Os bombeiros freqüentemente falam sobre o triângulo do fogo quando estão tentando acabar com um incêndio. A idéia é que se puderem remover um dos pilares do triângulo, eles podem controlar e finalmente extinguir o fogo.
Após ocorrer a combustão e o fogo começar a queimar, há vários fatores que determinam como o fogo se espalha. Esses três fatores incluem combustível, clima e topografia. Dependendo desses fatores, um incêndio pode desaparecer rapidamente ou se transformar em um enorme incêndio que destrói milhares de acres.
Os incêndios florestais se propagam com base no tipo e quantidade de combustível que os cerca. O combustível pode incluir tudo, desde árvores, arbustos e campos de grama seca a casas. A quantidade de material inflamável que cerca um incêndio é mencionada como carga de combustível. A carga de combustível é mensurada pela quantidade de combustível disponível por área unitária, normalmente, toneladas por acre.

Incêndios, resultantes da ação descuidada do homem, estão cada vez mais freqüentes.
As causas mais comuns de incêndios florestais incluem:
- incêndio intencional
- fogueiras
- cigarros acesos
- queima inadequada de detritos
- brincadeira com fósforos ou fogos de artifício
- incêndios prescritos
O clima desempenha um importante papel no nascimento, crescimento e morte de um incêndio florestal. A aridez leva a condições extremamente favoráveis para incêndios florestais e os ventos ajudam o progresso do incêndio florestal - o clima pode estimular o fogo a se mover mais rápido e abranger uma área maior. Ele também pode tornar o trabalho de combate ao fogo ainda mais difícil. Há três ingredientes do clima que podem afetar os incêndios florestais:
- temperatura
- vento
- umidade
Como mencionado antes, a temperatura afeta a formação de fagulhas de incêndios florestais, pois o calor é um dos três pilares do triângulo do fogo. Os galhos, árvores e arbustos no solo recebem calor radiante do sol, que aquece e seca os combustíveis em potencial. As temperaturas mais quentes permitem que os combustíveis acendam e queimem mais rápido, aumentando a taxa na qual o incêndio florestal se propaga. Por esse motivo, os incêndios florestais tendem a aumentar à tarde, quando as temperaturas estão mais quentes.
Diferenças entre focos de calor, incêndio e queimadas
Focos de calor
Qualquer temperatura registrada acima de 47ºC. Um foco de calor não é necessariamente um foco de fogo ou incêndio.
Queimadas
A queimada é uma antiga prática agropastoril ou florestal que utiliza o fogo de forma controlada para viabilizar a agricultura ou renovar as pastagens. A queimada deve ser feita sob determinadas condições ambientais que permitam que o fogo se mantenha confinado à área que será utilizada para a agricultura ou pecuária.
Incêndio Florestal
É o fogo sem controle que incide sobre qualquer forma de vegetação, podendo tanto ser provocado pelo homem (intencional ou negligência), quanto por uma causa natural, como os raios solares, por exemplo.

Queimadas e incêndios aumentam nos últimos anos
Novos indícios que relacionam o aquecimento global são os novos nº. de grandes incêndios por continente e década, à maior incidência de grandes incêndios florestais em todo o mundo.
Nos EUA houve temporada terrível de incêndios e os estudos mostram o aumento progressivo e constante do nº. de incêndios da área queimada e dos prejuízos causados todos relacionados ao aumento de temperatura.
Existem outros fatores, o padrão de uso do solo também é fundamental. Mas inúmeros novos estudos publicados nos últimos seis meses de 2006 evidenciam que há relação direta entre o nº. de incêndios em todos os continentes, e a temperatura elevada.
Os cientistas afirmam com o ressecamento do solo, a vegetação também resseca e isso torna a natureza mais vulnerável ao fogo. Infelizmente mais incêndios significam quantidades adicionas de CO2 lançados na atmosfera da Terra.Nos últimos anos, dos mais quentes da história segundo os registros meteorológicos, deflagraram, em média, cerca de 50565 incêndios florestais por ano em território europeu, provocando danos em termos de perda de vidas humanas e a nível ambiental. Numa época marcada pelas alterações climáticas e pelo aquecimento global, a Europa debate-se todos os verões com um problema que ainda não conseguiu resolver a uma voz comum.
Não são só as temperaturas elevadas a única causa dos incêndios florestais na Europa. A seca persistente que se tem vivido nos últimos anos com o declínio dos índices de precipitação, a gestão ineficaz das florestas devido a uma deficiente política de ordenamento do território, a plantação de poucas variedades de árvores e, sobretudo, a desertificação das áreas rurais provocada pelo abandono das terras, contribuem também para a situação que se vive neste âmbito na Europa. Em 2003, segundo dados do Programa das Nações Unidas de Combate à Desertificação, 31% do território espanhol e 18% do território italiano encontravam-se numa situação de extrema vulnerabilidade perante a ameaça da desertificação.A atividade criminosa é outro dos motivos para a deflagração de incêndios mas a Comissão a não dispõe ainda de recursos que permitam determinar a porcentagem exata do número de sinistros ocorridos devido a causas humanas.
Como evitar os incêndios?
- Fazer queimadas somente com autorização do Ibama e de forma controlada, com a construção de aceiros - barreiras que impedem a propagação das chamas. O aceiro pode ser feito em forma de vala ou limpeza do terreno de modo a obstruir a passagem do fogo.
- Apagar com água o resto do fogo em acampamentos para evitar que o vento leve as brasas para a mata, causando incêndios.
- Não jogar pontas de cigarro acesas próxima a qualquer tipo de vegetação.
- Está proibido o uso de fogo em áreas de reservas ecológicas, preservação permanente e parques florestais.
Como prevenir um incêndio?
O objetivo da prevenção é impedir que o fogo comece, pois o combate às chamas nem sempre tem condições de ser realizado com êxito. Mas, se iniciado, o importante é que ele não se alastre. Para isso, é preciso levar em consideração as condições da área, a conscientização do perigo das queimadas e uma eficiente fiscalização.
O ser humano é o maior responsável pelos incêndios florestais, devendo ser implantado um programa permanente de educação ambiental, visando a sua conscientização sobre os prejuízos decorrentes das queimadas e a vantagem de se utilizar outras técnicas agrícolas mais modernas.
A conscientização das pessoas é um importante passo a prevenção e pode ser feita nas escolas, imprensa, instituições sociais. Para isso, é importante aproveitar cada oportunidade e prejuízos causados pelo fogo.
O conhecimento do terreno através de mapas, plantas topográficas, dados climatológicos, estradas, acessos, aceiros e mananciais de água próximos irá facilitar a ação dos bombeiros e da brigada em caso de incêndio, principalmente se isso for feito fora do período chuvoso, de maio a setembro.
Sinalizar o risco de incêndio pode ser feito através de cartazes, placas ou painéis em pontos estratégicos. É importante, nos períodos críticos, que a vigilância seja feita através de torres bem equipadas e com apoio da própria população.
Agindo em parceria com outras empresas reflorestadoras ou agrícolas, indústrias da região e prefeituras, os incêndios serão evitados e um eventual combate surtirá melhores resultados.
O Corpo de Bombeiros e as Brigadas Voluntárias de Combate a Incêndios Florestais devem sempre ser avisados o mais depressa possível em casos de incêndio. É bom lembrar que o trabalho pesado deve ser deixado para pessoas capacitadas. O Corpo de Bombeiros oferece treinamento gratuito para Brigada de Incêndio. Para participar como voluntário, basta estar bem preparado fisicamente e consciente da importância dessa tarefa.
Além das parcerias com o Instituto Estadual de Florestas, IEF, Corpo de Bombeiros Militar e Polícia Militar de Minas Gerais, a Cemig conta com a sua ajuda, porque o maior amigo do fogo é a falta de informação.

Penalidades
Os infratores estarão sujeitos às penas previstas nos artigos 14 e 15 da Lei 9.605 (Lei de Crimes Ambientais). As penas podem chegar a prisão (de três a seis anos) e multas de até R$ 4.960,00. O valor será aumentado com a regulamentação da Lei, pelo Ministério do Meio Ambiente, podendo variar de R$ 50,00 a R$ 50 milhões.
Na visão global, o fogo é considerado natural, pois o número de focos de calor, queimadas e incêndios nesta época de seca prolongada em todo o hemisfério sul. Fazer queimadas para uso agropecuário é uma prática cultural não só do Brasil e de difícil substituição. Caso fossem observadas as normas para queimada controlada e se a população contribuísse deixando de jogar pontas de cigarro acesas nas margens das estradas, apagassem restos de fogo em acampamentos e tivessem maiores cuidados ao lidar com o fogo, seriam menores as estatísticas.
Assistam uma matéria sobre os incêndios no YouTube - Aquecimento Global Causa 5 vezes + incendios em 2008